13 de ago de 2017

Juliana na Flip 2017


No dia 29 de julho de 2017 eu realizei uma vontade antiga: participar da Flip! Infelizmente só consegui ir no final de semana – passei o sábado todo e metade do domingo –, mas já foi o suficiente pra sentir a energia e ficar com vontade de ir nos próximos anos.

Antes de começar a contar do que eu participei, tem uma coisa indescritível na feira que vale uma atenção especial: o clima gostoso que contagia todos os presentes. É muito legal ver tantas pessoas em busca do mesmo objetivo, compartilhando experiência e sempre felizes.

O homenageado desse ano foi, merecidamente, Lima Barreto. E os dias contaram com uma programação diversificada e bem interessante. E o grande sucesso de todos os dias foi o ator/autor Lázaro Ramos, que estava lançando o livro Na minha pele, o título mais vendido de toda a Flip.

Mas agora vamos para os eventos que eu pude presenciar:


 A cidade: Paraty é maravilhosa. Uma cidade bonita, com pessoas simpáticas e dona de um charme único. O único problema é o chão de paralelepípedos que, apesar de ser uma marca registrada da cidade, complica muito a movimentação nos horários de “pico”. A alimentação é barata e acessível, mas no final de semana estava bem difícil de achar um lugar pra comer. 











Mesa 12: Romance e história, dois historiadores e uma romancista, João José Reis e Ana Miranda, com Lilia Schwarcz como mediadora. Uma conversa muito rica nos quais abordaram a literatura e a história da escravidão. 



Embora não tenham falado diretamente sobre Lima Barreto, permearam o cenário em que o homenageado viveu e escreveu.


Mesa 13: foi difícil escolher, mas esse foi o meu evento favorito de toda a feira! Foi uma surpresa maravilhosa poder assistir à essa mesa.

Começamos com uma performance impecável da poeta Adelaide Ivanova sobre feminicídio, machismo e política. Não conhecia essa mulher e virei fã!
Depois seguimos com um debate sobre literatura e ativismo com Maria Valéria Rezende e Luaty Beirão.

Maria Valéria é autora, entre tantos títulos, do livro Outros cantos, ganhador do prêmio Jabuti em 2015. E Luaty é um rapper ativista angolano e autor dos livros Sou eu mais livre então e Kanguei no maiki (esse inclusive foi o nome da mesa).

Com uma conversa muito sincera e casual, os dois contaram de suas experiências com a censura e a luta pela liberdade dos seus ideais e escritas.

Para fechar com chave de ouro, Luaty apresentou uma de suas músicas!

Casa Publishnews: o portal Publishnews foi bem ousado esse ano e fez uma programação com muitas mesas de debate e, no final de cada dia, os seus famosos Happy Hours. Estive lá para assistir uma conversa com os vencedores do Prêmio Jovens Talentos. Muito divertida, casual e informativa.

Casa Sesc: a casa estava linda, muito bem organizada e com uma programação legal. Estive lá para assistir um debate sobre livros digitais no mercado editorial atual. Eu esperava mais da conversa, achei que os assuntos discutidos ficaram rasos, mas foi bem interessante mesmo assim. 

Mesa 17: para fechar a feira, fui assistir a mesa mais concorrida da Flip: uma conversa de esquentar o coração entre Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves. A mesa foi conduzida com fotos da vida Conceição e, a partir da imagem, ela contou como cada experiência refletiu em sua vida literária. 

Livraria principal da feira













Para resumir: foram dois dias de experiências riquíssimas! Pretendo voltar nos próximos anos, mas durante a semana para aproveitar mais a feira e pegar a cidade mais vazia.

Caso nunca tenha ido, aconselho a se programar para não perder a edição 2018.

Matheus, eu, Maitê e Nestor










24 de jul de 2017

Resenha: O perfume da folha de chá

O perfume da folha de chá
Dinah Jefferies
2017, Paralela

SINOPSE:

Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurence, no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império.

Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos.
Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita.

Comprei esse livro por ter lido ótimas avaliações a respeito dele. Não conhecia a escritora Dinah Jefferies, mas O perfume da folha de chá é seu segundo romance.

Ambientado no Ceilão, nome adotado pelo atual Sri-Lanka até 1972, o romance conta a história da jovem Gwendolyn, ou somente Gwen como é chamada pela família. Gwen chega ao Ceilão em 1925, após se casar aos 19 anos com Laurence, um viúvo de 37 anos e que cultiva chá nas terras do Ceilão. Antes de desembarcar, ela conhece o artista plástico Savi Ravasinghe, um cingalês bonito e charmoso, que parece ter uma história no passado que o faz ser uma pessoa não desejada no círculo social por Laurence. 

Decidida a enfrentar a distância de sua família em uma terra totalmente estranha e diferente do que está acostumada, Gwen logo tenta se inteirar dos assuntos domésticos e interagir com os empregados cingaleses e tâmeis, mas a única interação satisfatória que ela consegue é com a aia Naveena, que cuidou de seu marido quando ele era criança e agora ficou responsável pelos cuidados com a nova patroa. Gwen se sente sozinha e triste...

Laurence pouco fala sobre sua primeira mulher e a morte dela, o que parece ser um assunto não desejado na casa. A irmã de Laurence, Verity, chega para passar um tempo com o casal e isso poderia ser uma ótima oportunidade para Gwen ter companhia, mas a cunhada em nada facilita a vida da jovem. Pelo contrário, Verity é mesquinha e faz de tudo para afastar o irmão da esposa.

Quando Gwen engravida, o casal é tomado por uma alegria sem fim, o que faz acreditar em um futuro maravilhoso ao lado do marido e do filho que espera. Mas alguns segredos do passado e acontecimentos recentes não esclarecidos, fazem com que Gwen tenha que tomar uma decisão difícil que afeta sua vida para sempre. 

O perfume da folha de chá é um livro lindo e forte que toca em assuntos delicados. Um deles é a divisão de classes entre os trabalhadores da fazenda de chá e da casa da família. Situação que incomoda em muito Gwen, mas estamos falando de quase 100 anos atrás. Se até hoje infelizmente isso ainda existe, imagina o que uma jovem poderia fazer naquela época? 

Comecei a ler pensando ser apenas um romance de época, mas ele é muito mais. Tem o mistério que envolve o passado de Laurence que deixa o leitor intrigado, tem a toda a emoção envolvida na decisão de Gwen que nos deixa com o coração na mão o tempo todo, tem a abordagem social e por ai vai... Só lendo para saber mesmo. 
Eu indico!

16 de jul de 2017

Resenha: O melhor amigo do inimigo

O melhor amigo do inimigo
Mônica de Castro, pelo espírito Leonel
2017, Planeta

SINOPSE:

Bruce é um cão levado, sempre alegre e que, se pudesse, estaria em todos os lugares ao mesmo tempo. Mesmo assim, sua energia não se esgotaria. Logo, sua fidelidade – como a de qualquer animal de estimação – é inabalável. Mesmo assim, ele conhecerá o sofrimento e verá quão cruel o ser humano pode ser.

Mas nem tudo está perdido. Em uma história emocionante e inspiradora, você aprenderá o verdadeiro sentido da amizade, da lealdade e da possibilidade real de mudar. Todos merecem uma segunda chance, por pior que tenham sido no passado.

Esse é um livro diferente dos que vocês costumam ver resenhados aqui no blog. É um livro psicografrado, portando, segue a doutrina espírita. Como cada um de nós temos nossas crenças, caso você não se sinta confortável com o tema, sugiro não prosseguir, combinado?

Mônica de Castro escreve inspirada pelo espírito Leonel e com O melhor amigo do inimigo, ela pretende chamar a atenção para a forma como os humanos interagem com os animais em todos os aspectos, principalmente sobre a violência e o abandono. São várias histórias que acabam se interligando. 

Moisés é um morador de rua que desencarna em um acidente juntamente com seu cachorro Tostão, Desesperado com o desaparecimento de seu animal, Moisés retorna do plano espiritual e se apega a um filhote que acaba de ser comprado, passando a "morar" na casa da família com a intenção de proteger o filhote da maldade das pessoas. 

Lisandra é uma fútil, egoísta e maldosa que, apesar de ter comprado um bagunceiro filhote para seu filho Rodrigo, não suporta o animal, o agride e pensa a todo momento uma maneira de ser ver livre dele. Billy é destruidor e sapeca e só traz alegrias ao menino Rodrigo e ao seu pai. Traído pela esposa, Vítor se revolta quando Lisandra mostra todo o seu mal prejudicando a linda relação entre Rodrigo e Billy. Não quero dar spoiller, mas nesse momento meu coração doeu e as lágrimas foram inevitáveis...

André e Larissa são duas crianças de nove anos, vizinhos e melhores amigos que compartilham sua paixão pelos animais. Larissa tem uma gatinha amada, Nina e André acaba de perder seu companheiro canino. Ambos são crianças amorosas, criadas por pais igualmente amorosos e bondosos. Os caminhos do pai de André, Wilson, se cruzam com um cão abandonado, machucado e doente: Bruce. E este cão trás a alegria de volta ao garoto André que imediatamente estabelece uma relação de amor com o novo companheiro. Bruce é um cão especial, que já sentiu na pele a crueldade do Homem e tem na casa de André um recomeço para uma vida melhor.

Mas O melhor amigo do inimigo não aborda somente as questões animais, mas fala também sobre traição, segunda chance, perdão, ódio, maldade e renovação. A mãe de Ítalo, padrasto da Larissa é um exemplo de pessoa movida pelo ódio, ciúme e inveja e que faz de tudo para acabar com a harmonia da família do filho e agride os animais sempre que pode. Mas chega em um momento de sua vida, tem que refletir e se dar conta de onde seus erros a levaram e qual caminho seguir dali para frente. 

Inseridos na narrativa, temos explicações sobre as almas dos animais, sua evolução, sobre a dinâmica da influência que os espíritos podem exercer sobre os encarnados e uma verdadeira lição sobre o uso da homeopatia. 

O melhor amigo do inimigo é um livro revelador e intrigante. Recomendo a todos que gostam do tema ou aqueles que apenas estão abertos a novos pontos de vista.