28 de ago de 2017

Resenha: Dois a dois

Dois a dois
Nicholas Sparks
Arqueiro, 2017

SINOPSE:
Com uma carreira bem-sucedida, uma linda esposa e uma adorável filha de 6 anos, Russell Green tem uma vida de dar inveja. Ele está tão certo de que essa paz reinará para sempre que não percebe quando a situação começa a sair dos trilhos. Em questão de meses, Russ perde o emprego e a confiança da esposa, que se afasta dele e se vê obrigada a voltar a trabalhar. Precisando lutar para se adaptar a uma nova realidade, ele se desdobra para cuidar da filhinha, London, e começa a reinventar a vida profissional e afetiva - e a se abrir para antigas e novas emoções.
Lançando-se nesse universo desconhecido, Russ embarca com London numa jornada ao mesmo tempo assustadora e gratificante, que testará suas habilidades e seu equilíbrio emocional além do que ele poderia ter imaginado. 
Em 'Dois a dois', Nicholas Sparks conta a história de um homem que precisa se redescobrir e buscar qualidades que nem desconfiava possuir para lutar pelo que é mais importante na vida: aqueles que amamos.

Eu adoro ler Nicholas Sparks e até sua obsessão pela morte eu já compreendi quando li Três semanas com meu irmão (conheça aqui), mas a experiência com Dois a dois foi um pouco diferente. 
Nesse livro, Sparks conta a história de Russ, um marido apaixonado, romântico e bom pai que se vê sua profissional virar de cabeça para baixo e junto com ela, seu casamento. A esposa Vivian é repugnante, para simplificar. Egoísta e mimada, ela se afasta do marido e da filha deixando toda a responsabilidade pela pequena London, de cinco anos, a cargo do pai. Claro que é esse fato que apresenta o tema principal do livro, a relação entre Russ e sua filha. Um linda relação que vai se construindo aos poucos.

Mas afinal, o que aconteceu durante a leitura que eu não tive a mesma experiência dos livros anteriores? Eu achei maçante, entediante e monótono! Das 501 páginas do livro, eu só consegui me envolver quando faltavam 50! Dá para acreditar? São páginas e páginas de uma Vivian egocêntrica que distorce a realidade e um Russ que se lamenta o tempo todo. O que salva a história são os personagens secundários, esses sim, mais interessantes. A irmã de Russ, Marge, é ótima!

Sempre gostei da escrita fluida de Sparks, sem muita enrolação, mas em Dois a dois eu nem conseguia identificar isso. Só "o encontrei" na história quando uma tragédia se abate sobre a vida de Russ e sua família e a trama ganha um novo ritmo.
Quanto a relação de Russ e London, ela é descrita pelos personagens que interagem com eles na história como algo incrível, raro. Será tão raro assim? Só em meu círculo de amizades conheço vários pais que são assim, amorosos e envolvidos com a educação dos filhos. Aqui em casa tenho o melhor exemplo disso, então me desculpe, mas não consegui me maravilhar com o relacionamento deles.

Dois a dois foi para mim uma decepção e empurrei a leitura até o final. Confesso que foi o primeiro livro de Sparks que eu não gostei, que foi difícil de ler. 

Mas tenho que fazer um registro sobre a capa: linda! E retrata uma cena bela e delicada da história. 

13 de ago de 2017

Juliana na Flip 2017


No dia 29 de julho de 2017 eu realizei uma vontade antiga: participar da Flip! Infelizmente só consegui ir no final de semana – passei o sábado todo e metade do domingo –, mas já foi o suficiente pra sentir a energia e ficar com vontade de ir nos próximos anos.

Antes de começar a contar do que eu participei, tem uma coisa indescritível na feira que vale uma atenção especial: o clima gostoso que contagia todos os presentes. É muito legal ver tantas pessoas em busca do mesmo objetivo, compartilhando experiência e sempre felizes.

O homenageado desse ano foi, merecidamente, Lima Barreto. E os dias contaram com uma programação diversificada e bem interessante. E o grande sucesso de todos os dias foi o ator/autor Lázaro Ramos, que estava lançando o livro Na minha pele, o título mais vendido de toda a Flip.

Mas agora vamos para os eventos que eu pude presenciar:


 A cidade: Paraty é maravilhosa. Uma cidade bonita, com pessoas simpáticas e dona de um charme único. O único problema é o chão de paralelepípedos que, apesar de ser uma marca registrada da cidade, complica muito a movimentação nos horários de “pico”. A alimentação é barata e acessível, mas no final de semana estava bem difícil de achar um lugar pra comer. 











Mesa 12: Romance e história, dois historiadores e uma romancista, João José Reis e Ana Miranda, com Lilia Schwarcz como mediadora. Uma conversa muito rica nos quais abordaram a literatura e a história da escravidão. 



Embora não tenham falado diretamente sobre Lima Barreto, permearam o cenário em que o homenageado viveu e escreveu.


Mesa 13: foi difícil escolher, mas esse foi o meu evento favorito de toda a feira! Foi uma surpresa maravilhosa poder assistir à essa mesa.

Começamos com uma performance impecável da poeta Adelaide Ivanova sobre feminicídio, machismo e política. Não conhecia essa mulher e virei fã!
Depois seguimos com um debate sobre literatura e ativismo com Maria Valéria Rezende e Luaty Beirão.

Maria Valéria é autora, entre tantos títulos, do livro Outros cantos, ganhador do prêmio Jabuti em 2015. E Luaty é um rapper ativista angolano e autor dos livros Sou eu mais livre então e Kanguei no maiki (esse inclusive foi o nome da mesa).

Com uma conversa muito sincera e casual, os dois contaram de suas experiências com a censura e a luta pela liberdade dos seus ideais e escritas.

Para fechar com chave de ouro, Luaty apresentou uma de suas músicas!

Casa Publishnews: o portal Publishnews foi bem ousado esse ano e fez uma programação com muitas mesas de debate e, no final de cada dia, os seus famosos Happy Hours. Estive lá para assistir uma conversa com os vencedores do Prêmio Jovens Talentos. Muito divertida, casual e informativa.

Casa Sesc: a casa estava linda, muito bem organizada e com uma programação legal. Estive lá para assistir um debate sobre livros digitais no mercado editorial atual. Eu esperava mais da conversa, achei que os assuntos discutidos ficaram rasos, mas foi bem interessante mesmo assim. 

Mesa 17: para fechar a feira, fui assistir a mesa mais concorrida da Flip: uma conversa de esquentar o coração entre Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves. A mesa foi conduzida com fotos da vida Conceição e, a partir da imagem, ela contou como cada experiência refletiu em sua vida literária. 

Livraria principal da feira













Para resumir: foram dois dias de experiências riquíssimas! Pretendo voltar nos próximos anos, mas durante a semana para aproveitar mais a feira e pegar a cidade mais vazia.

Caso nunca tenha ido, aconselho a se programar para não perder a edição 2018.

Matheus, eu, Maitê e Nestor